segunda-feira, 9 de julho de 2018

Baixa cobertura vacinal contra a pólio acende alerta na Saúde

Pasta chama a atenção para perigo de reintrodução de doenças já consideradas eliminadas, como sarampo e poliomielite

 

 O alerta feito pelo Ministério da Saúde nesta semana sobre a baixa cobertura vacinal no País em crianças chama atenção para o perigo de reintrodução de algumas doenças que já eram consideradas eliminadas, como o sarampo e a poliomielite. O governo federal divulgou uma lista com os 312 municípios onde o índice de imunização contra a pólio está abaixo de 50% para crianças com menos de um ano de idade e a lista revela uma situação preocupante no Paraná, na região dos Campos Gerais. Dos oito municípios do Estado incluídos na lista, sete estão na área de abrangência da 3ª Regional de Saúde. Em pior situação está Carambeí, cidade com uma população de pouco mais de 22 mil habitantes e que ocupa a 17ª posição na lista, com um índice de cobertura de 5,43%, segundo o Ministério da Saúde. Na sequência estão Castro (6,88%); Piraí do Sul (9,25%); Ivaí (25,79%); Sengés (28,47%); Porto Amazonas (39,22%) e Ipiranga (40,70%). O único município paranaense fora da área da 3ª Regional de Saúde é Campo do Tenente, na Região Metropolitana de Curitiba, que aparece na lista com uma cobertura vacinal de 44,53%.

Diretor do Centro de Epidemiologia do Paraná, João Luís Crivellaro afirma que houve erro no registro da cobertura vacinal nos oito municípios. Dados ainda preliminares da Sesa (Secretaria Estadual da Saúde) apontam que o Paraná fechou 2017 com uma cobertura vacinal contra a poliomielite acima de 76% e o diretor garante que o índice de imunização em cada uma das cidades paranaenses incluídas na lista do Ministério da Saúde acompanha a cobertura no Estado. "O arquivo foi corrompido e acabou dando distorção nos dados. Houve falha de registro no Programa Nacional de Imunizações, mas já comunicamos o Ministério da Saúde, que irá corrigir as informações. Essa correção é um processo demorado", justifica. "Quando for feita a correção os municípios que estão na lista vão chegar ao patamar de 75% a 80%. A 3ª Regional de Saúde tem uma boa cobertura vacinal."

Segundo ele, em 2015 a vacinação contra a poliomielite no Paraná atingiu 4% a mais das crianças menores de um ano de idade que eram previstas para serem imunizadas, o que explica o índice registrado de 104%. Em 2016, a taxa de imunização caiu um pouco, encerrando o ano em 81,2% e, em 2017, o balanço parcial aponta uma nova queda, de 76,07%. "A gente quer altas coberturas vacinais para todas as doenças, acima de 85%", diz Crivellaro.

A poliomielite está erradicada do Paraná desde 1989 e no Brasil, desde 1990. Em 1994, o País recebeu da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), a Certificação de Área Livre de Circulação do Poliovírus Selvagem. Por essa razão, destaca o Ministério da Saúde, é fundamental a manutenção das elevadas coberturas vacinais, acima de 95%, para evitar a reintrodução do vírus da poliomielite no País. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), três países ainda são considerados endêmicos: Afeganistão, Paquistão e Nigéria.

O perigo da reintrodução da poliomielite no Brasil foi discutido no último dia 28 de junho, durante a reunião da CIT (Comissão Intergestores Tripartite), que reúne representantes do Ministério da Saúde, de Estados e municípios. "O risco existe para todos os municípios que estão com coberturas abaixo de 95%. Temos que ter em mente que a vacinação é a única forma de prevenção da poliomielite e de outras doenças que não circulam mais no País. Todas as crianças menores de cinco anos de idade devem ser vacinadas, conforme esquema de vacinação de rotina e na campanha nacional anual. É uma questão de responsabilidade social", conclui a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues, em nota encaminhada à imprensa pelo Ministério da Saúde.

O esquema de vacinação contra a poliomielite inclui cinco doses da vacina. As três primeiras - aos dois, quatro e seis meses de vida - são injetáveis. As duas últimas, de reforço, são ministradas aos 15 meses e aos quatro anos, em gotas. Entre os dias 6 e 31 de agosto, acontece em todo o País a Campanha Nacional de Vacinação Contra a Poliomielite. No Paraná, a campanha deverá atingir 581 mil crianças.

Poliomielite: sintomas, transmissão e prevenção

A poliomielite é uma doença infecto-contagiosa aguda, causada por um vírus que vive no intestino, denominado Poliovírus. Embora ocorra com maior frequência em crianças menores de quatro anos, também pode ocorrer em adultos. O período de incubação da doença varia de dois a trinta dias sendo, em geral, de sete a doze dias. A maior parte das infecções apresenta poucos sintomas (forma subclínica) ou nenhum e estes são parecidos com os de outras doenças virais ou semelhantes às infecções respiratórias como gripe - febre e dor de garganta - ou infecções gastrintestinais como náusea, vômito, constipação (prisão de ventre), dor abdominal e, raramente, diarréia. Cerca de 1% dos infectados pelo vírus pode desenvolver a forma paralítica da doença, que pode causar sequelas permanentes, insuficiência respiratória e, em alguns casos, levar à morte. Em geral, a paralisia se manifesta nos membros inferiores de forma assimétrica, ou seja, ocorre apenas em um dos membros. As principais características são a perda da força muscular e dos reflexos, com manutenção da sensibilidade no membro atingido.

Transmissão

Uma pessoa pode transmitir diretamente para a outra. A transmissão do vírus da poliomielite se dá através da boca, com material contaminado com fezes (contato fecal-oral), o que é crítico quando as condições sanitárias e de higiene são inadequadas. Crianças mais novas, que ainda não adquiriram completamente hábitos de higiene, correm maior risco de contrair a doença. O Poliovírus também pode ser disseminado por contaminação da água e de alimentos por fezes. A doença também pode ser transmitida pela forma oral-oral, através de gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar. O vírus se multiplica, inicialmente, nos locais por onde ele entra no organismo (boca, garganta e intestinos). Em seguida, vai para a corrente sanguínea e pode chegar até o sistema nervoso, dependendo da pessoa infectada. Desenvolvendo ou não sintomas, o indivíduo infectado elimina o vírus nas fezes, que pode ser adquirido por outras pessoas por via oral. A transmissão ocorre com mais frequência a partir de indivíduos sem sintomas.

 Prevenção

A poliomielite não tem tratamento específico. A doença deve ser evitada tanto através da vacinação contra poliomielite como de medidas preventivas contra doenças transmitidas por contaminação fecal de água e alimentos. As más condições habitacionais, a higiene pessoal precária e o elevado número de crianças numa mesma habitação também são fatores que favorecem a transmissão da poliomielite. Logo, programas de saneamento básico são essenciais para a prevenção da doença. No Brasil, a vacina é dada rotineiramente nos postos da rede municipal de saúde e durante as campanhas nacionais de vacinação. A vacina contra a poliomielite oral trivalente deve ser administrada aos dois, quatro e seis meses de vida. O primeiro reforço é feito aos 15 meses e o outro entre quatro e seis anos de idade. Também é necessário vacinar-se em todas as campanhas.

OUTRAS DOENÇAS

  

Além da poliomielite, o Ministério da Saúde alerta também para o risco de retorno de outras doenças que já haviam sido eliminadas no País, como o sarampo. Os Estados de Amazonas e Roraima enfrentam surtos da doença. Na última quinta-feira (5), a Secretaria de Saúde de Manaus confirmou a morte de um bebê de sete meses de vida diagnosticado com sarampo. É a primeira morte decorrente da doença registrada no Amazonas desde março e a terceira no Brasil. As outras duas aconteceram em Roraima. Em junho, uma menina de nove anos que também vivia em Manaus morreu por suspeita de sarampo, mas ainda não houve a confirmação da causa do óbito. As duas crianças não haviam sido imunizadas.

Desde março deste ano, mais de 270 casos de sarampo foram confirmados em Manaus e há mais de 1,8 mil sob suspeita. A epidemia da doença que atinge a capital amazonenses colocou a cidade em situação de emergência e a campanha de vacinação foi intensificada.

O Paraná não registra casos de sarampo desde 2000. "Estamos no processo de eliminação da doença. Porém, antes da Copa do Mundo de 2014 (realizada no Brasil), tivemos surto de sarampo em Pernambuco e no Ceará. Foi feita uma campanha que levou quase quatro anos para poder controlar de novo e nós precisamos manter isso", destacou Crivellaro. "Os casos em Manaus nos preocupam porque sarampo é uma doença de fácil transmissão e é um risco para quem não tomou a vacina."

Em 2015, a cobertura vacinal contra o sarampo no Paraná foi de 121,11%, caiu para 85,01% em 2016 e, no ano passado, ficou em 77,58%. "Temos discutido os índices de imunização em nível nacional. É falta de responsabilidade dos pais pelo fato de boa parte deles não terem vivenciado o que é a poliomielite ou o sarampo. Mas não são doenças do passado", avalia Crivellaro.

Fonte:

http://www.bio.fiocruz.br/index.php/poliomielite-sintomas-transmissao-e-prevencao 

https://www.folhadelondrina.com.br/geral/baixa-cobertura-vacinal-contra-a-polio-acende-alerta-na-saude-1010119.html

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